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Virtuosas

12 de set.
2 min de leitura

Reprodução
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Virtuosas faz uma crítica direta a um tipo de conservadorismo e à ideia de um modelo de mulher cristã que anda tão em alta, mesmo o filme tendo sido rodado há pelo menos dois anos. E tiro meu chapéu porque não é raso nem caricato, de zombaria, uma zona perigosa e fácil de cair quando existe um universo real próprio que, por si só, já é ridículo por natureza.


O filme claramente passou por decisões do que colocar e do que evitar, justamente por ser delicado. E na verdade, sabemos que o real é bem pior do que o retratado. Gosto muito de todas as atuações e de como constrói as personagens. Suas apresentações são tão eficazes. A gente decifra elas fácil, mas é muito bom porque elas também enganam a gente, já que estão usando máscaras. 


Isso exemplifica muito bem um pouco de cada mulher que está nessa situação. A que engana as outras com uma máscara e está no posto de liderança, as que são enganadas por estarem dentro da estrutura patriarcal e esperam alguém que as olhe, as do propósito e as que fazem, acreditam em muita coisa, mas também acham extremamente exagerado.


Tirando a boa personagem da Bruna, não temos nenhuma outra vilã. São mulheres em uma roda, contribuindo para a ascensão de alguém que usa a religião para se favorecer.



É o primeiro longa da Cíntia Domit Bittar. Gostei de como ela conduziu e usou o tempo. Só o necessário, sem mais. Termino com vontade de mais, mesmo tendo sido saciado. Gosto de como ela escala no terror e se joga no gênero no final. Mas o filme está desde o começo assumidamente no gênero, porque a ideia, o cenário, já é de alguma forma aterrorizante.


Ela constrói muito bem, seja com os tons das atuações, seja com os planos e o jogo de sombras que aparece em ótimos momentos. A direção de arte e o figurino capturam bem esse mundinho de Virtuosas, seja na cor homogênea, que é uma ideia imposta, ou na personagem que esconde algo, mas que, pela própria roupa que usa, dá para desconfiar que está fingindo ser alguém que não é. Terror à luz do dia, mas tem gente incapaz de enxergar.



4/5 ⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎


Gênero: Drama, suspense e terror

Duração: 88 min

Direção: Cíntia Domit Bittar

Roteiro: Cíntia Domit Bittar e Fernanda De Capua

Elenco: Bruna Linzmeyer, Maria Galant, Juliana Lourenção, Sarah Motta, Brisa Marques e Gabriel Godoy

Data de estreia (Brasil): 24 de setembro de 2026

 
 
 

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