Rose

Fui atravessado por Rose. Há uma frieza e, ao mesmo tempo um certo fervor na maneira como o filme aborda a discussão de gênero. Apesar de ser rígido, contido e estruturalmente simples, a maneira como lida com o tema e, principalmente como Sandra Hüller dá vida a Rose, me permite criar uma sensibilização genuína pela personagem.
Engajei na jornada e me perguntava constantemente até onde aquela farsa iria levá-la. Não é exatamente previsível, mas existe algo de inevitável no caminho que ela percorre. O que recai sobre a personagem é a mais pura e cruel realidade.
Antes disso acontecer, é interessante perceber que Rose não é uma heroína. Quando se vê em uma posição de poder, ela quer mais e faz o que for necessário para conseguir. Se precisar somar ao machismo assim será. É ela, por ela, até que as transformações provocadas pelas próprias consequências começam a levá-la para outro lugar.
Rose é cru, mas transmite seu tema com clareza. E para mim, existe coerência temática nessa escolha, mesmo que seja possível ser lido como uma limitação. Acredito que algumas pessoas possam enxergar o filme como uma obra que não adentra suficientemente as questões de gênero, principalmente porque no contemporâneo, vivemos uma luta pela existência e pelo reconhecimento das pessoas trans. O filme encontra sua resposta mais adiante, em uma frase marcadora da personagem, quando ela deixa claro que nunca quis ser um homem. Ela queria usar calças porque eram elas que lhe davam liberdade.
A fotografia é extremamente bonita. Há um uso muito interessante da profundidade de campo, com imagens que me fizeram parar e admirar o que estava sendo construído. São cenários bem bonitos, o contraste ressalta.
Rose quer liberdade, mas também quer poder. Talvez sejam a mesma coisa. Não é uma jornada simples de libertação, é uma mulher tentando sobreviver, sem muitas virtudes.
4/5 ⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎
Nota: 4/5
Gênero: Drama, histórico
Duração: 1h34min
Direção: Markus Schleinzer
Roteiro: Markus Schleinzer e Alexander Brom
Elenco: Sandra Hüller, Caro Braun, Marisa Growaldt, Godehard Giese e Robert Gwisdek
Data de estreia (Brasil): 1º de outubro de 2026


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