Resident Evil

Quando Zach Cregger disse em algumas entrevistas que queria fazer um filme que lembrasse as pessoas da sensação de jogar os games, como fazer o público ter consciência de quantas balas o personagem ainda tem na arma, fiquei com muito receio. Apesar de considerar Cregger um diretor que já se provou competente nos seus dois últimos trabalhos, nada havia me agradado tanto quanto essa adaptação de “Resident Evil”.
Ele conseguiu a proeza de ser fiel ao estilo dos jogos mesmo contando uma história original, que se passa durante o segundo game, sem deixar o filme vazio, mas mantendo um olhar cinematográfico o tempo todo.
E é justamente nessa sensação de estar jogando que o filme mais acerta. Existem referências que vão deixar os fãs felizes, mas elas surgem de maneira tão natural que se você não jogou, não perde nenhuma informação. São pequenas coisas que demonstram o quanto o diretor gosta do universo, sem transformar o filme em uma coleção de referências.
Cregger também brinca com diferentes perspectivas. A terceira pessoa, que é o estilo clássico dos jogos, aparece em cenas em que a câmera está no ombro ou um pouco atrás do personagem, enquanto a primeira pessoa também é usada em momentos específicos. São escolhas que ajudam a aproximar a experiência do filme daquela de estar dentro de um jogo.
As criaturas também são um dos grandes acertos. Achei todas fantásticas, sejam as novas ou as que fazem referência aos jogos. Algumas são realmente nojentas, como devem ser, mas também são imponentes. Você fica paranoico junto do protagonista, tentando entender o que pode aparecer a qualquer momento. É uma jornada muito mais situacional do que movida pelo drama interno do personagem. Ele tem seus conflitos, mas o que conduz a história é sua missão e a necessidade de sobreviver, e isso combina perfeitamente com a proposta.
As situações em que ele vai se envolvendo e a maneira como vai resolvendo cada uma delas são criativas, angustiantes e bem-humoradas. A comédia está na medida certa, assim como os ótimos jump scares. Pela primeira vez, gritei na sala de cinema com um susto. Geralmente não gosto quando esse artifício é usado em filmes de terror, mas aqui eles funcionam tão bem porque existe uma atmosfera muito verdadeira de tensão. O filme trabalha muito bem com as sombras e com a limitação da nossa visão e da visão do personagem. Os espaços têm vida e estão o tempo todo interagindo com ele. A cada momento, o filme apresenta algo pior e, quando você pensa que não tem mais como ser tão divertido e aterrorizante quanto o que veio antes, ele consegue se superar.
Apesar do bom ritmo, sinto que o fim vem abrupto demais. Talvez justamente por instigar tão bem, eu queria ver mais. Queria ter um tico mais de informação, explorar mais, conhecer outras vertentes dessa cidade. Isso não chega a ser um demérito. Prefiro que termine assim do que ficar entediado.
“Resident Evil” é uma ótima adaptação que corre por um caminho próprio sem esquecer o que faz a franquia ser tão amada. Gosto dos dois últimos trabalhos de Zach Cregger, mas essa adaptação de “Resident Evil” foi a que mais conseguiu me conquistar.
4/5 ⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎
Gênero: Terror / Ação / Ficção científica
Duração: 90 minutos
Direção: Zach Cregger
Roteiro: Zach Cregger e Shay Hatten
Elenco: Austin Abrams, Paul Walter Hauser, Zach Cherry, Kali Reis e Johnno Wilson
Data de estreia (Brasil): 17 de setembro de 2026


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