O Fim Da Rua
- Luca Rossini

- 13 de ago.
- 2 min de leitura

Fiquei fascinado. A direção usa a fotografia para organizar a atenção dentro do quadro em “O Fim da Rua”, encanta principalmente a forma como eles usam recorrentemente a dioptria dividida. Seja para causar um estranhamento, criar um novo significado ou mostrar duas coisas em uma só. E isso se relaciona com a forma como o filme usa o quadro todo para compor e contar sua história.
Tem muitas cenas em que constantemente é algo em terceiro plano que dita a cena. Um exemplo que ele repete bem, personagem em primeiro plano, distraído, e lá no terceiro plano um dinossauro aparece. Esses momentos dão boas cenas de tensão e deixam o espectador procurando e colocando sua atenção à prova. Se bobear, tu perde.
No geral, isso causa a valorização desse espaço, e a forma como eles dão vida para ele, é reconhecer o lugar como um protagonista. E ele é. A atmosfera é bem acertada. Gosto da textura, da cor. É um imaginário dos anos 80 bem sóbrio quando comparamos com a estética que foi estabelecida.
É um frescor, de certo modo, ver um filme de dinossauro que não seja da franquia Jurassic. Porque tem um lado cômico mais escrachado que achei engraçado e sai da mesmice de ir para uma ilha onde algum danado ou uma grande corporação é o verdadeiro inimigo.
A personagem de Anne Hathaway é mais completa. Uma mulher visualmente cansada com o rumo que a vida e o casamento vêm tomando, onde publicar um
livro seja a forma mais fácil de ela se expressar. Não sabemos o conteúdo, mas ele é cheio de detalhes e parte mesmo, ainda que ela negue, de uma vivência pessoal.
E aí entra o contraste da personagem. Ela demonstra ser muito pé no chão, até fica brava com o marido, que nega a realidade e prefere encontrar ou torcer para que algo maior ajude. Mente para si mesmo. E isso irrita ela, mas ela faz o mesmo. Essa rachadura que atravessa o casamento deles, queria ter visto mais, porém está no ponto.
O filme sofre em criar pequenas situações mais complexas, então ele pode parecer que roda, mas não está indo a muitos lugares. E é verdade. Mas é melhor assim do que se perder em tramas paralelas.
Existe uma cena que é muito corajosa e que me tira da repetição em que o filme estava quase caindo. Ela me deixou ansioso para o que poderia vir de consequências a partir dela, e isso é algo positivo. Infelizmente, depois ele prefere ser covarde. O saldo da aventura é positivo.
3,5/5 ⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎
Gênero: Ficção Científica, Suspense, Ação/Aventura
Duração: 1h40min (100 minutos)
Direção: David Robert Mitchell
Roteiro: David Robert Mitchell
Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella, Christian Convery, P.J. Byrne, Chris Coy, Bethany Anne Lind, Jordan Alexa Davis, entre outros.
Data de estreia (Brasil): 13/08/2026, nos cinemas.

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