A Última Casa
- Luca Rossini

- 8 de ago.
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de ago.

Um dos poucos acertos de “A Última Casa”, e quando digo acerto, não pense em algo extraordinário, é a sensação de retornar ao período mais sombrio da pandemia de COVID-19 e a todo o pavor que o isolamento dentro de casa podia provocar. O medo de faltar mantimentos, de enfrentar um perigo invisível ao sair, o tédio e, principalmente, a sensação de deixar de viver para apenas sobreviver, esperando que tudo aquilo acabasse.
Durante a primeira hora, o filme explora esse sentimento, mas não leva a ideia a lugar nenhum. A sensação de angústia existe, mas o roteiro parece confiar demais na memória coletiva da pandemia para sustentá-la.
Em vez de construir esse impacto por conta própria, usa uma experiência que todos nós compartilhamos como um atalho emocional.
Os personagens também não conseguem fugir do óbvio. O pai assume a responsabilidade por tudo e vai enlouquecendo sozinho na tentativa de manter a família viva sob controle absoluto. Os filhos cumprem o papel dos rebeldes que nunca entendem a gravidade da situação e parecem sempre prontos para tomar a pior decisão possível. Apesar disso, Wagner Moura e Greta Lee, os principais motivos que me fizeram assistir ao filme, são agradáveis. Sinceramente, sem os dois, acredito que o resultado seria ainda mais fraco.
Há ainda uma tentativa de construir um suspense com elementos de terror e até mesmo de horror cósmico. O filme sabe preparar o terreno e despertar curiosidade, mas esse interesse dura pouco. Seja pela demora em revelar seu mistério, seja porque a revelação em si é decepcionante, a tensão vai se dissipando conforme a história avança. É cansativo e aleatório.
A montagem também trabalha contra o próprio filme. Ela está sempre acelerando o ritmo, tentando provocar uma ansiedade artificial. Em alguns momentos isso funciona, especialmente quando acompanha o estado emocional dos personagens, mas na maior parte do tempo, transmite a sensação de que o filme está tentando mascarar a falta de desenvolvimento da narrativa.
Com tudo isso, fica difícil enxergar qualquer profundidade. O próprio filme parece defender o vazio que apresenta e desperdiça uma premissa batida, mas que a gente sempre gosta de ver.
2/5 ⭐︎⭐︎
Gênero: Terror, Suspense, Ficção Científica
Duração: 1h50min (110 minutos)
Direção: Louis Leterrier
Roteiro: Matthew Robinson
Elenco: Wagner Moura, Greta Lee, Gabriel Chung, Emma Ho, Noah Alexander Sosnowski, Riley Chung, Audrey Anderson, Sid Edwards, entre outros.
Data de estreia (Brasil): 07/08/2026 (Netflix).

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