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A Professora de Piano

Reprodução
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A Professora de Piano, dirigido por Michael Haneke, toda vez que assisto, quanto mais velho fico, mais vejo algo de diferente em cada personagem. Parece que os humanizo, mas logo em seguida eles cometem algo injustificável. Depois parto a entendê-los novamente e esse ciclo fica indo e voltando. O diretor em nenhum momento julga seus personagens, os filma com a mesma sofisticação. Ele coloca a gente nesse papel. É terrível porque começamos a brigar com nosso próprio senso de justiça.


Logo na primeira cena, a gente vê Erica chegando atrasada em casa. Sua mãe, que ficou preocupada, a contesta e se mostra bem invasiva. Tudo escala quando ela pega o vestido na bolsa da filha e descobre que, na verdade, ela estava comprando roupa. Em meio à discussão, o vestido rasga. Em pouco tempo já me identifico com a filha, até ela agarrar o cabelo da mãe. São essas dualidades dos personagens que tornam o filme tão interessante e nos fazem querer decifrar quem são essas pessoas.


A mãe é completamente pirada e contribui demais para a repressão da filha, mas é inegável que a ama. Erica está com seus desejos completamente reprimidos por uma vida inteira, o que a obriga a tomar caminhos intensos porque tudo está explodindo dentro dela. Mas ela acaba fazendo o mesmo que sofre com seus alunos e com as pessoas à sua volta. É difícil entendê-la, mas é fácil perceber que tanto controle e tanta prisão, principalmente sexual, pedem liberdade. Então seu arco vai escalando e o diretor faz a gente permanecer diante do desconforto.



O filme acaba e a sensação fica, porque durante ele fomos contraditórios o tempo todo. Isabelle Huppert está fenomenal no papel. Quando a personagem está pensando, eu consigo ver, mesmo que às vezes seja difícil lê-la. Ela é bem fria, mas carregada de marcas das expectativas femininas impostas e de uma criação controladora. E vê-la gigante na tela potencializa ainda mais seu trabalho.


Haneke prefere nos deixar presos nesse conflito, obrigando a reconhecer a humanidade de pessoas que gostaríamos apenas de condenar.


5/5 ⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎


Gênero: Drama, Romance, Thriller Psicológico

Duração: 2h11min (131 minutos)

Direção: Michael Haneke

Roteiro: Michael Haneke (baseado no romance Die Klavierspielerin, de Elfriede Jelinek)

Elenco: Isabelle Huppert, Benoît Magimel, Annie Girardot, Susanne Lothar, Udo Samel, Anna Sigalevitch, Cornelia Köndgen, Thomas Weinhappel, entre outros.

Data de estreia (Brasil): 12/10/2001 (estreia comercial)

 
 
 

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