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A Odisseia

Atualizado: 24 de jul.


Reprodução
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Pela primeira vez, eu compro as loucuras do Nolan. Ele realmente fez um épico mitológico, e isso está impresso em 100% da tela. Não sei se é porque Hollywood anda fazendo sempre tudo igual, abusando cada vez mais de CGI e da boa vontade do público, mas aqui você sente visualmente o impacto da obra. Óbvio que existem efeitos especiais, mas estão ali para somar. Ver isso em IMAX é realmente um estrondo.

O escopo é gigantesco, e é um prazer ser pequeno diante daquelas imagens. Seja o mar revolto, criaturas enormes, batalhas ou apenas um campo e um cachorro velho... tudo parece grandioso, e não só pelas suas três horas. O poder do cinema.



Eu particularmente sempre achei a grande maioria dos filmes do Nolan frios. Não só pela coloração, mas porque os dramas de muitos personagens nunca me convenceram de verdade. Aqui eu compro a história. Não só embarco nela, como fico ansioso pelos próximos desafios e pelas promessas que ela faz para si mesma e para o público. E ela cumpre.


Odisseu é um herói que traiu seus deuses e seus homens. Ele reconhece isso, sabe o peso das próprias escolhas, se envergonha e tenta fugir desse passado. Mas seu coração fala mais alto. Novamente Nolan falando sobre o peso das escolhas dos homens.


Vi pouco do material de divulgação. Sabia que a história tinha muita fantasia, mas pelo histórico do Nolan, não esperava que ele fosse abraçar esse lado com tanta força. E ele não só faz isso à sua maneira, como ainda coloca uma pitada de terror em momentos específicos. A primeira criatura, por exemplo, rende uma cena fortíssima. E cada nova aparição desperta tensão e curiosidade para ver como aquele elemento seria adaptado.



Matt Damon é a cara do filme. A atuação dele acompanha tudo o que a história pede, e é um dos principais motivos para eu ter ficado tão envolvido com seus dilemas. Destaco Robert Pattinson, Anne Hathaway e o John Leguizamo.


Problemas existem. Alguns personagens passam a impressão de que têm apenas duas possibilidades: ou o Nolan os escreveu mal, ou muita coisa foi cortada na montagem. O exemplo mais claro é a personagem da Mia Goth. Ela parece estar articulando algo ao lado do personagem de Robert Pattinson, mas isso simplesmente não leva a lugar nenhum. Esses arcos acabam travados.

O filme alterna constantemente entre a jornada de Odisseu e o que acontece em sua terra. O núcleo do protagonista carrega completamente a narrativa. Já quando corta para o outro lado, apesar de funcionar como um respiro, fica a sensação de que aqueles personagens mal se movimentaram desde a última vez que os vimos.


Mesmo assim, saí da sessão pensando justamente naquilo que mais sinto falta, a ambição e um diretor apaixonado por trás. "A Odisseia" quer ser gigante, quer impressionar, quer colocar o espectador diante de imagens que parecem maiores do que ele. E consegue.


4/5 ⭐︎⭐︎⭐︎⭐︎


Gênero: Épico, Ação, Aventura, Fantasia

Duração: 2h52min (172 minutos)

Direção: Christopher Nolan

Roteiro: Christopher Nolan (baseado na obra Odisseia, de Homero)

Elenco: Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Zendaya, Robert Pattinson, Lupita Nyong'o, Charlize Theron, Jon Bernthal, Benny Safdie, John Leguizamo, Mia Goth, Himesh Patel, Elliot Page, Samantha Morton, entre outros.

Data de estreia (Brasil): 16/07/2026

 
 
 

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